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domingo, 4 de maio de 2014

Entrevista com Douglas Jen



Entrevista com Douglas Jen


MDG-01) Olá caro amigo Douglas Jen , é com grande prazer que começo a nova série de entrevistas do blog mestre da guitarra com um Guitarrista de Peso no cenário Nacional. Desde já agradeço por conceder essa entrevista a este Blog. Mas chega de conversa e vamos ao que interessa.  Como foi o seu primeiro contato com a Guitarra? Você tocou algum outro instrumento antes ou foi direto para a Guitarra?


Douglas Jen: Oi Jota, muito obrigado pelo convite do bate papo, e parabéns pelo site, tenho acompanhado bastante! Bem, eu iniciei numa época em que a informação sobre guitarra ou mesmo bandas de rock eram bem difíceis de se conseguir, não existia internet e o que tínhamos eram os vídeo clipes que passavam na TV. Eu ficava vendo o Slash fazendo aqueles solos no GNR, via também Metallica, Iron Maiden e ficava “pirando”, pegava um violão velho e ficava dublando na minha sala, desde a primeira vez eu já sabia que aquilo era parte de mim. Mesmo sem saber tocar eu pegava o violão e ficava tirando algumas melodias das músicas. Eu fazia a mesma coisa com bateria, eu armava um “kit” com caixas de sapatos e ficava batendo com cabos de vassoura, mas a minha família achava muito barulhento o que eu fazia (claro!) e entre minhas performances acabei ganhando o primeiro violão e logo mais a primeira guitarra.


MDG - 02) Todo músico que começou a tocar antes do surgimento da internet, sabe as dificuldades que era para arrumar material de estudo , tirar solos de ouvido dos discos de vinil ou as velhas e valiosas fitas K7 copiadas de um amigo. Enfim você acha que hoje em dia é mais fácil ser músico do que naquela época e para você qual o valor de ser um músico nascido nessa geração onde tinha que tirar solos de ouvido?


Douglas Jen: Com certeza eu fui desta época! Para se conseguir uma cifra sequer era uma dificuldade enorme, e hoje em dia você digita no Google e já está tudo prontinho. Eu digo que não aprende um instrumento só se você realmente não quiser, porque hoje em dia a informação está ai, gratuita, centenas de vídeos, de apostilas, métodos, etc. Claro que nada substitui um professor, porém você tem um baita material de apoio para se aperfeiçoar e chegar bem mais longe do que 15 anos atrás. Não vou dizer que hoje em dia é mais fácil ser músico até porque não vai depender somente desta informação, mas sim do talento que a pessoa tem e da instrução, mas tudo está muito facilitado.

Quem viveu esta época do K7, do walkman e do vinil era “forçado” a se virar, tirar de ouvido e vejo que este pessoal treinava bem mais a percepção, feeling, pois se você não conseguia tirar perfeitamente igual, na mesma técnica, você acabava tirando o solo do seu jeito, implementava técnicas e seu feeling no solo, colocava seu talento à prova o tempo todo. Hoje vemos muitas pessoas com guitarras de 8 cordas tocando mil arpeggios como se fossem robôs, pegam tudo pronto na internet e saem fazendo cópias, máquinas de tocar 12 horas por dia, talvez esta geração em que tudo tem que ser veloz, tudo tem que ser difícil tenha perdido muita musicalidade.

Por isso quando eu vou compor eu ouço uns sons antigos, vou para minha chácara ouvir pássaros, balançar na rede e ficar longe de tudo.

MDG - 03) A música Brasileira todos sabem que é uma fonte riquíssima de pesquisa , variedades de ritmo, estilos. Apesar de você fazer um som pesado, você bebeu na fonte dos Ritmos e estilos Brasileiros ?


Douglas Jen: Com certeza! Não somente no SupreMa mas também em meu projeto solo que estou produzindo. Inconscientemente nós temos esta ginga, algumas harmonias, melodias. Se você bater 2 acordes de baião, seja o roqueiro que for já vai saber do que se trata. Se você tocar 5 ou 6 notas de uma melodia de frevo qualquer cidadão já vai lembrar na hora da dança com os guarda-chuvas coloridos, ou seja, é algo que está incorporado na cultura brasileira e nós como músicos não somos diferente. Não somente os ritmos nordestinos mas também a MPB é muito rica e quando você vai compor muita coisa vem naturalmente. Hora uso a questão harmônica, hora a questão rítmica e acentuações. Quem ouvir o CD “Traumatic Scenes” vai sacar muitas sutilezas, na “Before the end” por exemplo temos grooves de samba e alguns riffs em Menor Melódica e DomDim.


MDG - 04) Como surgiu a ideia de fazer um álbum conceitual, relacionado a história do Filme “O Invisível?


Douglas Jen: “Traumatic Scenes” é um álbum conceitual baseado no filme “O invisível” mas não é uma narração exata do filme. Usamos toda a cronologia e história para mostrar um outro lado da história e todos sentimentos ali implícitos como raiva, ódio, e também amor, memórias, saudade, chegando aos pesadelos, visões e perturbações.  As letras se relacionam com o filme assim como os clipes, o cenário e o figurino da banda. Tudo está ligado e quem for atento às letras e comparecer aos shows, verão como cada peça se encaixa nesta trama.


MDG - 05)  A sua banda SupreMa tem feito shows por todo o Brasil onde você  ministra diversos Workshops.  O fato de ser guitarrista e poder viajar fazendo o que gosta lhe faz um músico realizado? Fale um pouco sobre os Workshops.


Douglas Jen: Realmente, o SupreMa tem tido uma atividade gigantesca nos últimos anos, viajamos 6 vezes em tours pelo Norte e Nordeste e sempre ministro workshops e masterclass, e é bem legal poder tocar e também fazer este bate papo com a galera local, aprendemos muito. Lembro em 2008 na primeira tour do SupreMa estávamos em Caruaru e ao passear pela cidade com nossos amigos de lá acabamos conhecendo vários músicos da cidade e também algumas lojas de instrumentos musicais. Numa destas andanças encontramos uma loja onde estava rolando um workshop de bateria com um músico paraense, e neste work ele falava de um ritmo tipicamente do Pará, o Carimbó, e fiquei por lá no workshop e me convidaram para fazer uma Jam com ele, foi divertido pacas um guitarrista de rock tocar um ritmo diferente. No meio do work chamaram um baixista local que tinha um groovão de funk/soul e ficamos uns 20 minutos lá improvisando os três numa Jam totalmente insana com três caras que nunca haviam se visto na vida tocando um ritmo totalmente inventado na hora. Este foi um dos momentos mais divertidos de todas as minhas tours até hoje e eu creio que só quando você está na estrada é que terá oportunidades assim de fazer o que gosta, conhecer pessoas, lugares e sempre ter algo novo para aprender, é claro.


MDG - 06) Você agora faz parte do time de músicos da Peavey , como surgiu essa parceria e quais são as marcas que apoiam seu trabalho atualmente?


Douglas Jen: Este endorsement da Peavey é algo que vínhamos conversando por longos meses e recentemente se concretizou. Digo que é um sonho realizado também pois todos guitarristas sonham em ter um Peavey um dia. O 6505 que é o sucessor do 5150, é um cabeçote com 9 válvulas e guita alto demais! É o som do Rock e do Metal, as maiores bandas do mundo usam este amp ao vivo e em estúdio e não vejo a hora de estar na estrada com ele. Vamos desenvolver alguns projetos em vídeo, logo mais os fãs vão poder acompanhar em meu site www.douglasjen.com . Atualmente uso também as guitarras da Ledur e também In Ear Monitor da Powerclick, empresas que já estão comigo desde 2008.


MDG - 07) Qual o seu Setup atual ?


Douglas Jen: Eu gosto de usar um setup reduzido por causa das viagens longas e também pela praticidade na montagem/passagem de som, tenho um ótimo técnico de guitarra mas precisamos sempre ser rápidos nas viagens.

Em resumo:

- Guitarra Ledur 6 cordas em drop D, inteiriça e captação EMG ativa (85 / 89)
- Guitarra Ledur 7 cordas inteiriça com captação Seymou Duncan (Distortion/59) ambas com ponte fixa e encordamento 0.11, são guitars preparadas para peso.
- Guitarra 6 cordas com Floyd Rose, Di Marzio Evo e cordas 0.10 que uso para músicas com solos mais complexos e velozes.
- Amp é o 6505 Peavey com caixas 4x12” 6505
- Pedais: DD7 (Boss), wha Cry Baby Classic (Dunlop).
- In Ear: mesa Powerclick MX 1x4S para mixar tudo, coloco todos canais no meu retorno (click, retorno do monitor, guitarra, sampler) e ele mixa stereo do jeito que eu quiser e me dá este ótimo recurso,
- Transmissores e earfone Shure.


MDG - 08) Quais foram os principais guitarristas que influenciaram no início sua carreira e o que você tem ouvido atualmente?


Douglas Jen: Como falei no começo o Slash foi o principal junto com o Kirk, foi basicamente por causa deles que comecei a tocar guitarra. Atualmente ouço inúmeros guitarristas, mas quem tenho ouvido mesmo tem sido o John Petrucci, Guthrie Govan, Paul Gilbert, Jon Schaffer, Zakk Wylde. Todos em estilos bem diferentes e acabo adquirindo um pouco de influência de cada um deles.


MDG - 09) O que você acha de sites e blogs de ensino de Guitarra online gratuitos e dos músicos que fazem vídeos online , enfim se preocupam em passar um pouco do que sabem trazendo um conteúdo de qualidade e somando  com os novos músicos que estão surgindo?


Douglas Jen: Eu acho fantástico pois na minha época eu não tinha isso. Eu mesmo iniciei em 2007 e fui um dos primeiros a fazer vídeo aulas gratuitas para a galera poder pegar exercícios e dicas importantes. Na internet você encontra um material vasto e isso ajuda em pesquisas e servem como material de apoio extra, mas a grande verdade é que nada substitui um bom professor.


MDG -10) Qual a importância dos professores de música para a formação de um músico? Qual a sua opinião sobre os músicos autodidatas,  você acha que alguém consegue um bom resultado estudando somente pela internet?


Douglas Jen: Como dizia, isso serve como complemento pois no vídeo você apenas vai ver mas não vai receber o feedback se está fazendo certo. Se você for autodidata correrá o risco de aprender coisas pela metade ou às vezes erradas e isso pode lhe custar anos de estudo jogado fora e ter que começar do zero em algumas técnicas. Por isso digo que isso deve servir como material de apoio e também como um extra.


MDG - 11) Quais os seus principais projetos para 2014 ? Seu foco atual como músico está em que?


Douglas Jen: Neste presente momento é o lançamento do novo clipe do SupreMa, da música “Fury and Rage” que foi muito bem recebido pela crítica internacional e temos tido muitos compromissos sobre este clipe. Logo mais o SupreMa volta à estrada para continuar a tour do “Traumatic Scenes” e em paralelo a isso estou produzindo o meu primeiro disco solo, ainda não tenho data ou previsão de lançamento e estou produzindo com calma, quero lançar um disco totalmente diferente do que faço com o SupreMa com várias participações de amigos e de grandes nomes. Para o segundo semestre tenho algumas novidades engatilhadas na área didática, porém ainda não posso divulgar. Quem ficar de olho no meu site vai poder curtir tudo isso no momento certo.


MDG -12) Que mensagem você deixa aos novos músicos que estão estudando e buscando um lugar ao Sol.


Douglas Jen: Minha mensagem é sempre esta: Estude música! Independente se você vier a se tornar profissional ou não, tocar um instrumento é maravilhoso, seja ele qual for. O mundo da música promove agradáveis momentos e eu mesmo tenho alunos que usam isso como terapia, tenho alunos advogados, diretores de multi nacional, consultores, engenheiros... Em primeiro lugar toque por prazer e se você sentir que isso está no seu sangue e você tem talento, invista sem medo, vá em frente e não tenha medo de ter que largar tudo e começar sua carreira. Todos têm dificuldades na vida e tenha certeza que quando você decidir ser músico muita gente vai te chamar de maluco, sua família vai virar as costas e você vai ver muita gente se afastando, mas o sonho deve estar à frente e te mover em busca do que você quer ser. Imagine-se na beira de um penhasco e você tem uma corda bamba que te leva até o outro lado, você dá três passos à frente e não deve olhar para trás e nem para baixo, olho fixo no objetivo!


MDG -13) Douglas muito obrigado por essa entrevista e colaboração para o conteúdo do Blog Mestre da Guitarra. Deixe aqui suas considerações finais.


Douglas Jen: Eu que agradeço pelo bate papo, é sempre bom falar de música e de guitarra. Fiquem atentos no meu site e nas mídias do SupreMa, logo teremos novidades!! Nos vemos na estrada!


Espero que gostem e até a próxima!!! 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Entrevista com Mattias Eklundh por Francesco Sicheri - Music Off

Olá amigos vou postar aqui uma entrevista feita pelo amigo Francesco Sicheri do site Music Off. O Site é italiano e a entrevista tem legendas em italiano e no clique ícone do youtube no Vídeo do lado direito abaixo e na página do youtube onde tem legendas ocultas você pode botar a legenda para português e assistir a entrevista.
Boa diversão. 


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Entrevista com Kid Vinil - Um Passeio pela História do Rock - por Jota Sabóia

Kid Vinil gravou o programa de Jô Soares no último dia 3 de julho de 2012.
O programa irá ao ar em data ainda a ser divulgada.Confira abaixo a entrevista concedida pelo Kid Vinil ao blog Mestre da Guitarra



Entrevista com Kid Vinil



01) Grande Kid Vinil uma vez achei uma fita K-7 com um nome KID VINIL, foi onde tive a oportunidade de ouvir seu som pela primeira vez. Cresci nessa época ouvindo tudo que me caia a mão. O tempo passa e o público dos anos 80 envelhece junto, e apresenta seu som aos filhos e o público se renova. Começo essa honrosa Entrevista tentando dar um clima nostálgico dos Anos 80. E Para começar a conversa de onde vem o nome Kid Vinil?

Kid: Foi para um programa de rádio no final de 1978, quando eu voltava de Londres cheio de discos de punk e queria fazer alguma coisa em rádio. Consegui um teste na rádio Excelsior e precisava de um pseudônimo pra mim e um nome para programa, daí veio a idéia de “Kosmo Vinil” que era o manager doThe Clash, mas eu não quis roubar o nome do cara e pensei no nome de outro DJ da BBC Kid Jensen e fiz um bem bolado, e virei Kid Vinil. O programa rolou e o apelido acabou pegando.


02) Atualmente quantos discos você possui na sua Coleção? Ainda hoje você compra discos de Vinil?

Kid: Tenho mais de 20 mil vinis, ainda compro vinil, claro. Na Europa eles nunca pararam de fazer vinil e nos EUA também. Compro compactos das bandas novas inglesas de indie rock, americanas, suecas etc... compro vinis antigos e raros em leilões do ebay.Só não compro por aqui nos sebos pois os caras cobram muito caro, prefiro comprar barato no ebay.


03) Recentemente você Lançou o Almanaque do Rock, a convite da Ediouro,o que você sentiu ao receber esse convite?

Kid: Achei ótimo, pois sempre quis lançar um livro, mas de forma independente seria muito trampo pra divulgar e distribuir. O convite veio a calhar e acabei realizando mais um sonho.


4) Embora você já tenha uma muita Bagagem e experiência no Rock, esse trabalho exigiu muita pesquisa? Qual foi a tarefa mais difícil em fazer esse livro?

Kid:Claro que pra tudo que a gente faz é preciso uma certa pesquisa de dados, principalmente em se tratando da história do rock. Mas no geral até que foi fácil. O mais difícil foi resumir muita coisa pra ficar no formato almanaque. Geralmente os Almanaques da Ediouro tem um padrão, não podem haver muitos textos, tudo tem que ser resumido em tópicos. A principio escrevi muito texto mesmo, como se fosse uma história do rock. Depois tive que cortar e enxugar muita coisa pra que coubesse no formato. Deu trabalho, mas valeu a pena!


5) O que o leitor pode achar no Almanaque do Rock, que seja diferente de outros almanaques?

Kid: Essa coisa do texto, mesmo que resumindo acho que esse almanaque conta mais histórias, recomenda discos e não se apega tanto à curiosidades, ele é mais objetivo no que se refere à informação.


6) O Rock em si passou por diversas transformações agregando-se com diversos Estilos, como Blues, Jazz, Clássico e outros. O Rock também passou por diversas fases em Movimentos surgidos a partir dele, influenciando em Forma de vestir, mudança de Comportamento e outros fatores. Na sua visão qual a importância de se Falar de Rock para a geração atual.

Kid:Acho que a história do rock é algo envolvente, sempre curti ler a respeito desse contexto histórico. Acredito que isso é interessante pra despertar no jovem o interesse em descobrir coisas de outras décadas e através disso acrescentar a eles um certo background.


7) Resumidamente, vamos falar um pouco do Rock dos últimos 50 anos. Para você quem foram os Grandes nomes dos anos 50?

Kid:Chuck Berry,Jerry Lee Lewis. Bo Didley,Fats Domino,Little Richard,Buddy Holly,Carl Perkins,Bill Halley e naturalmente o rei Elvis Presley.


8) O Rock dos anos 60 surgiram os Beatles e os Rolling Stones, Yarbirds, The Who e outros. O que houve de interessante nessa época?

Kid:A chamada invasão britanica foi a melhor coisa que aconteceu no rock depois do estouro de Chuck Berry e Elvis nos anos cinqüenta.

O rock tomava outro formato através das bandas britânicas, o blues vinha de outra maneira com The Animals, Yardbyrds e mesmo com os Stones. Tudo era novo e criativo, os ingleses pegaram as influencias americanos (blues e rock and roll) e criaram uma nova forma de se fazer rock.


9) O uso Drogas levava os jovens há um estado alterado de percepção e a música foi influenciada por esse consumo surgindo o Rock Psicodélico. Fale um pouco sobre isso.

Kid:O ácido lisérgico foi a droga que dominou a juventude em San Fancisco na California. Dali surgiram Jefferson Airplane, Gratefull Dead e toda aquela geração Monterey e Woodstock, foi um delírio de drogas e musica alucinante. A era psicodélica é um dos momentos mais fascinantes do rock.


10) Para muitos Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, em 1967 é considerado o nascimento do rock progressivo (que não se prende a nenhum conceito predefinido, baseado na experimentação e no ineditismo). Divide esta glória com um outro álbum, curiosamente gravado no mesmo estúdio e ao mesmo tempo, The Pipers At The Gates Of Dawn, da banda Pink Floyd, que havia ficado famosa pelas suas performances audiovisuais no underground londrino, capitaneada pelo gênio movido a LSD de Syd Barret.

Falando então em Rock progressivo o que define esse estilo.

Kid:Acho que a partir da experimentação dos discos psicodélicos conceituais como os citados e mais o primeiro do Moody Blues ou bandas como The Move e The Nice.Tudo isso deu margem a criação de um novo estilo usando referencias de música clássica (Jethro Tull,Yes e Emerson Lake & Palmer) ou até mesmo jazz (King Crimson. PFM, Soft Machine). Foi inicio de uma era de músicos virtuosos (Keith Emerson, Rick Wakeman, Steve Howe e Robert Fripp).


11) Jimi Hendrix criou uma nova sonoridade e ampliou definitivamente o papel e os recursos da guitarra elétrica no rock. O que tinha de especial no som de Jimi Hendrix?

Kid:Todo guitarrista tem um estilo especial, vide Eric Clapton desde o Cream, Jeff Beck e Jimmy Page. Hendrix tinha o seu estilo e tocava como ninguém. Foi realmente um gênio!


12) Assisti um documentário recente sobre a História do Heavy Metal e fala que após o som inovador do Led Zepelin é que surgiu o Termo Heavy Metal. Qual sua visão sobre o assunto?

Kid:Lembro que nesse documentário eles citam que a palavra “heavy metal” foi usada pela primeira vez na música “Born To Be Wild” do Steppenwolf, num trecho que eles cantam “heavy metal thunder....”

Concordo que o Led Zeppelin, assim como o Black Sabbath e o Blue Cheer são os pioneiros do gênero, apesar de pertencerem a era do hard rock.


13) Para muitos Woodstock foi o maior evento da Música de todos os tempos, o que você tem a dizer sobre este comentário?

Kid:Eu concordo,assisti o filme quando tinha 14 anos de idade e aquilo pra mim era a coisa mais incrível que poderia ter acontecido na história do rock. Um festival gigantesco reunindo a “nata” do rock e mostrando tendências que aconteceriam mais tarde durante a década de 70.

Antes de Woodstock outro festival muito importante foi o de Monterey.


14) Como surgiu o Rock no Brasil?

Kid:No livro eu conto que o rock no Brasil começou sendo interpretado por cantores de música popular brasileira como Nora Ney e Caubi Peixoto. Mais pro final da década de 50 é que apareceram os primeiros interpretes com uma “atitude” rock and roll como Tony e Celly Campello.


15) Tive a oportunidade de nascer na exatamente em 1980 e crescer ouvindo músicas e Bandas da Melhor Época do Rock no Brasil. Na minha opinião a década de 80 foi a mais criativa, rica, onde surgiram as melhores Bandas e que algumas estão vivas até hoje.Falo de Rock Brasileiro cantado em Português. Sem desconsiderar o que havia de bom na década de 70, Você concorda que os anos 80 foi a melhor época do Rock no Brasil?

Kid:Pertencendo a essa mesma geração de bandas eu considero a década de 80 um periodo extremamente criativo no rock brasileiro.

Quando criança eu gostava da Jovem Guarda, depois do tropicalismo com Mutantes. Na década de 70 era fã dos Secos & Molhados, Raul Seixas, O Terço, Som Nosso de Cada Dia, Made in Brazil e Joelho de Porco.

Se levarmos em consideração que na década de 80 apareceram muito mais bandas que nas décadas anteriores, realmente esse período pode ser considerado o mais criativo do rock brasileiro, não desmerecendo os outros que eu citei.


16)Qual a importância do Evento Rock in Rio para a difusão do Rock no País?

Kid:Foi o primeiro grande festival de projeção mundial. Isso trouxe uma série de benefícios para a vinda dos shows internacionais para o Brasil. A partir daí várias empresas se animaram em criar festivais e hoje temos essa série de festivais de rock todo ano. Isso foi muito bom pro nosso circuito de shows, tanto que a marca “Rock In Rio” terminou até lá fora (Portugal, Espanha)


17) Fale um pouco sobre seus trabalhos atuais com sua Banda?

Kid:Hoje tenho uma banda chamada Kid Vinil Xperience, é um resgate de trabalhos que já fiz, com releituras de coisas do Verminose, do Magazine e dos Heróis do Brasil, mais algumas covers de rock nacional dos 80 e uns punks dos Ramones e do The Clash.


18) Li uma notícia recentemente na BBC Brasil sobre a Volta do Vinil que está cada vez mais concreta, que em Londres está vendendo bastante e o CD continua despencando. O que você acha desta notícia?

Kid:O vinil nunca deixou de ser fabricado na Europa e nos EUA. Hoje com esse crescimento dos downloads, muita gente deixa de comprar CDs. O vinil tem algo de nostálgico e “cult”. Os colecionadores continuam comprando e as novas gerações começam a se interessar pelo formato. A mídia inglesa divulga muito e incentiva o jovem a comprar compactos de vinil dessas novas bandas da cena “indie pop”.


19) Grande Kid Vinil é realmente uma Honra para este humilde músico representando este Espaço do Blog Mestre da Guitarra, fazer essa entrevista, a qual desde já lhe agradeço a oportunidade e a colaboração. Quais são suas considerações finais?

Vou deixar o endereço do meu site

www.kidvinil.com

do meu blog

WWW.kidvinil.blogspot.com

Abraços!!!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ENTREVISTA COM O GUITARRISTA MICHEL LEME




Entrevista com Michel Leme



1 - Ao assistir o DVD “Na Montanha”, percebi que foi filmado em dois ambientes, que tinha um clima inspirador e que se respirava arte com pinturas, o ar da montanha e muita musicalidade. Esse clima ajudou na hora de realizar o novo trabalho? O que há de diferente e interessante em tocar em cima da Montanha? Fale um pouco sobre o clima que havia atrás das câmeras.

Michel Leme - Em primeiro lugar, muito obrigado pela oportunidade e meus parabéns por este trabalho, Jota. Espaços como o Mestre da Guitarra são muito importantes pra quem curte música. Respondendo: eu faço parte da Associação Jatobá, que tem por princípio realizar atividades artísticas fora dos ditames mercadológicos. O núcleo onde atuo na associação é o Espaço Cultural Ventos Uivantes, em São Francisco Xavier,
subdistrito de São José dos Campos (SP). Quando eu tive a idéia de registrar um novo trabalho, fiz questão de que fosse da maneira que aconteceu, ou seja, arte coletiva com música, foto, pintura e vídeo rolando na montanha. A primeira experiência de tocar ao ar livre no ECVU foi em 2008, quando gravamos um som com o Waguinho Vasconcelos (bateria) e o Robson Passos (baixo), com a pintura de um grande painel acontecendo simultaneamente - em breve postaremos vídeos desta atividade. Foi chocante tocar em meio à natureza, algo arrebatador mesmo. Quatro anos depois, senti uma emoção não menos intensa na parte ao ar livre do DVD. “Na Montanha” é mais um capítulo da grande continuidade, do grande processo que é tocar tentando submeter-se ao máximo apenas à música, e nesse caso com o diferencial fantástico de tocar onde tocamos. O clima
atrás das câmeras foi o mesmo de quando nos encontramos para passar feriados juntos, ou seja, relaxadíssimo e entre amigos que amam fazer o que fazem.

2 – Quando conheci o som do Jimi Hendrix, não entendi a complexidade e genialidade no som dele, pois eu era muito novo. Porém, hoje Hendrix é referência para mim, pois consegui entender musicalmente quase tudo que ele fazia na guitarra. Quando conheci o Jazz, não consegui gostar de cara, pois não entendia a linguagem e achava difícil de tocar. Você acha que para assimilar melhor algum estilo o músico deve educar o ouvido e conhecer a linguagem musical do estilo?

Michel Leme - Sem dúvida. Quando eu ouvi Barney Kessel na TV eu não entendi nada. Eu tinha 14 anos, aproximadamente, e estava habituado com outro universo musical. Mesmo assim, eu me lembro claramente de que pensei “um dia eu vou tocar esse som”, porque algo me atraiu muito naquilo. E aí você vai conhecendo a linguagem, os temas, as formas, as “gírias”, os estilos de cada improvisador, vai assistindo os caras ao vivo e, enfim, vai sacando o que acontece, o que deixa tudo ainda mais prazeroso e mágico. E, se me permite, vale comentar sobre a questão “jazz” ou “não-jazz”: esta música que tocamos apropria-se da liberdade de improvisar sobre um tema e isso vem de tradições musicais muito anteriores ao surgimento do jazz. Para nós essa tradição da improvisação vem do jazz, que faz parte da formação de cada músico deste trio, mas junto com várias outras linguagens musicais a que fomos expostos. Então, o que tocamos não é propriamente jazz, e tampouco uma tentativa de ser jazz; tocamos algo que é fruto da visão que temos a respeito do ato de tocar juntos sobre um tema com uma melodia forte e com uma forma interessante para improvisar sobre. Eu chamo esse som apenas de música. E para quem quiser se aprofundar um pouco mais, seja tocando ou mesmo acompanhando o que acontece em termos de estruturas nas composições, nós disponibilizamos as partituras dos temas em PDF numa pasta do DVD.


3 - Jazz e Bossa Nova, são estilos interessantes que tem diferenças e características que definem cada um. Sabendo que você é um Jazzista nato, que gosta de belas harmonias e melodias, gostaria de saber que influências você tem na música brasileira e fale sobre alguma influência do Jazz importante para a sua formação?

Michel Leme - De fato, não sou “jazzista nato”, Jota. Sempre gostei de improvisar, isso é fato, mas não começou com a linguagem do jazz. Eu nasci numa família que ama música: meu avô paterno tocava muito bem violão, meu pai estudou violino formalmente, minha mãe estudou piano e acordeon e meu irmão toca guitarra. Aos sete anos eu tocava baixo em alguns ensaios e até apresentações do meu irmão, que me apresentou a sons como Jimi Hendrix, Black Sabbath, Led Zeppelin, Beatles, John McLaughlin, George Benson etc.; aos oito comecei ao violão, tocando música brasileira com meu avô - eu o acompanhava em choros, valsas, catiras, enfim, vários ritmos que fizeram parte da vida dele no começo do século XX em Espírito Santo do Pinhal, interior de SP. Junto com isso, meu pai ouvia Mozart, Bach, Paganini e árias de óperas em casa. O interesse pelo jazz veio forte aos 18 anos: meus amigos Pierre, Tuta Bastos (In Memorian) e Antonio Carlos me chamavam pra tocar temas brasileiros com harmonias que eu desconhecia e diziam “sola aí!”, e eu, mesmo sem saber nada do que estava fazendo em termos teóricos, tentava algo musical sobre o que estava rolando. Como eles gostavam, eu continuava sendo chamado pros sons, o que era e continua sendo ótimo, porque é sempre um grande prazer e um grande aprendizado tocar. Só que chegou uma hora na qual eu me conscientizei de que era indispensável estudar os acordes mais o que era possível tocar sobre eles pra começar como eu acredito que se deva começar: tocando o que soa bonito sobre as seqüências de acordes. A partir daí, eu comecei a mergulhar na música de Miles Davis, Thelonious Monk, Ahmad Jamal, John Coltrane, Wayne Shorter etc. Outra coisa que ajudou desde o começo foi não “colar” muito em guitarristas – o que ocasiona o muitíssimo comum aparecimento de meros “covers” por aí. Eu ouvi e conheço o som de vários guitarristas, mas preferi descobrir coisas novas no meu instrumento ao, além de tentar tocar o que eu imagino, tentar reproduzir o que fazem os saxofonistas, trompetistas, pianistas etc. O que não é nada novo, mas que realmente ajuda a abrir a mente e a enxergar coisas que eu jamais tinha sonhado enxergar no instrumento.


4 - Como surgiu a idéia de gravar em cima da Montanha? E fale um pouco sobre algumas composições do novo DVD.

Michel Leme - Foi preparada uma sala para gravar, que é o cenário da primeira parte do DVD, mas, desde que acordamos com um belo dia, já cogitamos gravar ao ar livre. Como o tempo continuou firme no decorrer, foi o que aconteceu. As composições são de épocas variadas, vão de 2003 até poucos meses antes da gravação. O DVD começa com o baião “Diz Aí” – o único take 2 do DVD, o restante é take 1 - que gravei num disco não-lançado de 2003 do grupo Motaba; o segundo tema é uma modesta homenagem ao maravilhoso músico/pianista McCoy Tyner, chamado “El Tyner”; a terceira faixa e última da parte “Dentro” é “Indo a Santos”, um samba rápido com três partes. Em seguida, vem a parte “Fora”, ao ar livre, onde tocamos quatro temas em seguida: “Entrelinhas”, um cha-cha mais introspectivo que compus ao vivo, tocando num boteco com o Bruno Migotto e o Jônatas Sansão; “Dominación” que surgiu numa passagem de som de uma apresentação do disco passado, o “5º”, e que encaixei na forma do “rhythm-changes”, seqüência de acordes da composição “I got rhythm” de Gershwin, que teve inúmeros temas compostos sobre; o samba “Dito e Feito”, que foi gravada no primeiro disco do Edu Letti e que neste DVD tem uma versão um pouco mais lenta; e, fechando o DVD, tem o “Celso Childs’ Blues”, que não tem a forma clássica do blues de 12 compassos, mas tem a ver com o espírito da coisa, e é outro tema que compus na hora tocando em algum lugar. Tenho ouvido coisas ótimas de quem assiste ao DVD, o que é um bônus, porque todo o processo de produção do DVD foi extremamente prazeroso, um verdadeiro prêmio.


5 - Quem vê o “Michel Leme Trio” tocando observa que vocês são um time de grande qualidade para a música, o entrosamento do Trio também é algo a se elogiar. Sei por experiência própria que tocar com músicos de confiança é muito importante, pois além da música, também tem que rolar uma lealdade e profissionalismo. Qual a importância dos músicos “Bruno Tessele” e “Bruno Migotto” na concepção do novo trabalho? Fale um pouco sobre o que esses dois excelentes músicos representam para você.

Michel Leme - Eu toco com o Bruno Tessele desde 2004 e com o Bruno Migotto desde 2008, que foi o ano no qual esse trio começou a tocar junto. O que acontece com estes caras e alguns outros músicos aqui de SP e ABC é que eles entenderam que o músico deve submeter-se à música, ou seja, entenderam que o músico deve ouvir o que está acontecendo na hora e, ao invés de trazer suas concepções fechadas de casa e aplicar/repetir coisas mortas sobre algo que poderia ser vivo, eles escolhem reagir ao momento, levando em conta a real vontade de ouvir o que o outro tem a dizer e a grande realização pessoal que é ser parte de um todo, de um grupo que pode gerar sons poderosos e situações indescritíveis daquelas que ficam impressas na mente. Enfim, eles escolheram servir a algo muitíssimo maior do que qualquer ambição individual estúpida que, de fato, anula qualquer possibilidade da música acontecer. Os Brunos e alguns outros músicos mais jovens com os quais eu tenho a sorte de tocar representam a esperança de que a integridade e honestidade musical ainda são possíveis.


6 - Geralmente, guitarristas mais novos que estão construindo uma carreira têm uma preocupação com parte técnica e com velocidade somente. Não se preocupam como fato de simplesmente tocar e sentir a música, improvisar. Querem sempre mostrar virtuosidade e agilidade, esquecendo que um simples tema ou improviso com feeling pode encantar e conquistar um coração e ouvido de quem está assistindo ou ouvindo. Já guitarristas mais maduros sabem os caminhos, não precisam provar nada a ninguém e se preocupam mais com o grupo ou trio do que com a performance pessoal . Você acha que é preciso ter uma dosagem certa para isso, será melhor uma performance pessoal do que uma performance coletiva?

Michel Leme - Sem dúvida, o que acontece coletivamente é muito mais poderoso, transformador. E é por isso que as manifestações artísticas que têm a ação coletiva como principal característica estão banidas da sociedade, um exemplo óbvio disso é a própria música instrumental que, com exceção da que é feita sob adequações, está totalmente no gueto. Como a orientação da ideologia dominante que está na mídia, nos filmes, novelas etc. leva o cidadão a ser um individualista em qualquer instância, o que neutraliza qualquer possibilidade da massa se reunir e se organizar para reagir à tirania das oligarquias que mandam no planeta, é óbvio que na música o “herói”, aquele que resolve tudo sozinho, será festejado. A síndrome do egoísta que quer que a música o sirva (e não o contrário) é apenas um reflexo do senso comum, o que é nefasto justamente por trazer a competição para a arte. E essa competição é tida como normal e certa, basta ter o desprazer de ler alguns fóruns na rede ou comentários lamentáveis no youtube, por exemplo. E, curiosamente, quando você tromba com os caras que tocam competindo e você dá pra eles o mesmo remédio (ou veneno), eles ficam bem bravos! É curiosíssimo, a reação é ódio puro. Mas agradeço muitíssimo por estas oportunidades terem sido exceções raríssimas. Felizmente, venho tocando apenas com caras que tocam para o som. É uma questão de escolha: alguns se concentram na música; outros, em ser empreendedores.


7 - O Fato de não gravar em um estúdio caro, Sem caras famosos, sem pessoas que faz a arte da capa para todo mundo e sem alguém que faz masterização para todo mundo, deu mais liberdade a produção e realização do novo DVD?

Michel Leme - Sim. E, além de ter mais liberdade, pudemos deixar de gastar quantias que não condizem com a nossa realidade e muito menos com a nossa necessidade. E eu pude trabalhar com pessoas que amam o que fazem, e sem a menor afetação. Eu não troco isso por entrar na fila da “boiada”; não troco tentar algo que seja arriscado por simplesmente seguir a tendência dominante. Tem gente que se contenta em estar na média; minha autocrítica e o valor das pessoas que me cercam me fazem procurar por caminhos que proporcionem cada vez mais vida ao que amo fazer. E estes caminhos fazem parte de uma continuidade, de um acúmulo de experiências e de um conjunto de princípios que fazem tudo acontecer de uma forma mais humana, que não é assepticamente perfeita, mas que é incomparavelmente mais prazeroza. Então, enquanto, por exemplo, uns levantam um trabalho com um time que está no mesmo nível e na hora de gravar chamam os “medalhões”, dispensando os que chamavam “brothers” na hora H, eu sempre preferi ter um time e ser fiel a ele, e não porque sou “um cara legal”, mas porque a música soa mais viva desta maneira. O mesmo se aplica a escolher o risco de se agendar uma data para gravar ao ar livre ao invés de escolher gravar algo com as paredes de um estúdio como cenário. O foco é a música sempre, mas já que foi decidido fazer um DVD, porque não escolher um cenário como o que foi escolhido? Se a música acontece de uma forma natural, porque não ter a própria natureza como parte disso? Enfim, correr riscos e pensar em alternativas são coisas que me atraem muito mais.


8 - Você tem tocado bastante com esse novo Trio, apesar do Jazz não ser um estilo comercial aqui no Brasil, ter um público específico e seleto. As pessoas que não abrem espaço para o estilo estão cometendo um erro ou estão pensando apenas no dinheiro? Na sua visão o que poderia ser feito para melhorar?

Michel Leme - Quem não está pensando apenas no dinheiro hoje? Tem vários “artistas” que conseguem projeção porque estão de acordo com o fascismo do momento atual, em qualquer que seja o gênero. Se você faz o que o sistema precisa é óbvio que vai ter destaque nele de alguma maneira, é um encontro de interesses. E não estou nem citando a escrotidão milionária do mainstream; a própria música instrumental – onde gira menos grana, mas gira - é mais um campo pra isso: os vendidos (explorados que querem ser exploradores e que abandonam o sonho inicial adequando-se à tendência dominante), os individualistas (competidores, heróicos, truculentos, cheios de “atitude”), os burgueses (que fazem o som “leve”, “alto astral”, que passa a mensagem pacificadora “está tudo bem”) ou mesmo os incapazes bem relacionados só mudam de nome e têm as primeiras senhas no sistema. Os projetos com grana têm estes caras como queridinhos, por uma questão de sintonia mesmo: o sistema quer manter a massa apática e estúpida, e esses personagens são perfeitos pra isso. Já quem está fora dessa sintonia, por talvez não ter estômago para desempenhar estes papéis, está excluído. Você me pergunta o que pode ser feito pra melhorar; honestamente, não sei. Talvez, em primeiro lugar, pra começar a faxina, seria legal abolir os rótulos. Nós tocamos música. Ponto. A partir daí, que cada um vá assistir ao vivo pra chegar às suas próprias conclusões - e qualquer conclusão que chegar num mero rótulo significa apenas mais um atestado de estupidez. Quanto ao cenário atual, não é dos mais favoráveis: as leis (Psiu, impostos para quem quer abrir uma escola, bar etc.) e a ideologia dominante – e em conseqüência, o próprio público, que é a grande marionete desta - dificultam para que exista música ao vivo tocada sem adequações à lógica da mercadoria. Não é novidade alguma e é fácil constatar que, para a sociedade de hoje, o músico deve apenas fazer fundo musical e/ou ser um “cover” de algum gringo milionário. Então, todos estabelecimentos que oferecem música ao vivo vão se tornando iguais, é proibido tocar livremente neles. Assim como o próprio público vai se tornando cada vez mais igual, uniformizado, querendo ouvir apenas mais do mesmo – e bem baixinho, pra não atrapalhar suas conversas... Enquanto isso, o músico tem que ouvir “abaixe o volume”, “pô, foi legal mas você não tocou a música ‘x’” e outras imbecilidades que todos já aceitam como normal. Resta apenas o gueto pra tocar à vontade. Então, como diz um amigo, vamos organizar esse gueto! Vamos pensar juntos em novas alternativas para continuar tocando, exercendo a arte que amamos fazer e mantendo nossa sanidade mental. Idéias?


9 – A música hoje não tem fronteiras, sabemos de onde vem os estilos , suas raízes e características. Hoje em dia todo mundo quer ouvir blues e jazz, os novos guitarristas que não tem muita estrada e conhecimento já dizem “sou jazzista ou blueseiro”. Há um certo modismo. Na sua Experiência, não é perigoso um músico dizer que é de um estilo especifico, apenas por causa da moda? Não seria preciso conhecer ou gostar suficientemente do estilo para definir-se jazzista ou blueseiro?

Michel Leme - Rótulos são parte essencial para que se venda um produto. Quem se auto-rotula está claramente colocando-se numa prateleira. Não é óbvio? Só que arte e capital andam em vias distintas. Quem quer fazer arte e, ao mesmo tempo, atingir a massa ou visar o lucro deveria informar-se pra ver que não dá pra ser íntegro artisticamente com estes objetivos. Quanto aos estilos que você cita e a questão dos modismos: a cada vez a mídia promove um ou outro estilo, dependendo do que precisa ser vendido. Basta pesquisar sobre “Indústria Cultural” pra entender isso com clareza. Enquanto isso, os verdadeiros artesãos da música seguem suas trajetórias fazendo o que amam fazer. Perde quem não busca presenciar isso.


10 – Quais são seus patrocínios e marcas que lhe apoiam atualmente?

Michel Leme - As marcas que me apóiam com produtos de qualidade para que eu possa tocar dignamente e que acreditam em projetos como este DVD são: Cassias, D’Addario, Fire Custom, Rotstage, Tecniforte. As empresas parceiras que apoiaram este trabalho: EM&T, MF Produções e Espaço Sagrada Beleza. Também contamos com o apoio logístico e trabalho dos parceiros do Espaço Cultural Ventos Uivantes.


11 - Que instrumentos e pedais você usou , no processo de gravação do DVD “Na Montanha”?

Michel Leme - Usei a guitarra acústica Cassias, que adquiri do luthier João Cassias e estou usando desde setembro de 2010. É um instrumento fantástico. Nela eu usei cordas D’Addario Chromes .012 (com a primeira E na medida .013 e a G desencapada .022). O amplificador é o mesmo Rotstage modelo Libra 100 que uso desde 2007, totalmente valvulado, meu modelo-assinatura. Efeitos: usei um Flanger resto de contratos passados, um wha-wha automático (ou “envelope”) da Guyatone e um Booster da Fire Custom. A fonte e o pedalboard também são da Fire Custom e os cabos são Tecniforte.


12 – Na internet, as mídias alternativas tem sido as principais formas de divulgação para trabalhos independentes ou fora dos padrões comerciais. Seu trabalho já chamou atenção de programas como o do Jô Soares que você participou e outros programas. Mesmo assim você participa e valoriza programas de internet mais simples e participa de sites e blogs de audiência menor e mais especifica. Qual a importância desses sites, blogs, programas de TV pela internet e redes sociais para a divulgação de seu trabalho?

Michel Leme - As novas mídias são importantíssimas para trabalhos independentes, porque ainda não foram maculadas (em sua maioria) com os vícios das mídias tradicionais totalmente vendidas, escravas do capital. Desta forma, existe democracia nesse nicho: os artistas independentes têm o mesmo espaço que os bancados por multinacionais bilionárias, por exemplo – o que é improvável nas mídias tradicionai$. Por esta razão, estes veículos são a via principal de divulgação para trabalhos como o meu e o de colegas que atuam de maneira similar. E os responsáveis por estes veículos realmente ouvem e curtem o som, são apreciadores de música que ajudam na difusão destes trabalhos. Eu dou total valor a isso, por isso ajo como parceiro destes veículos, prontamente. Quanto à “grande mídia”, só um exemplo: tocamos no Jô Soares com o Umdoistrio em 2003 e, depois disso, mesmo enviando os discos a cada lançamento, nada! A mídia tradicional não justifica o trabalho do artista como a maioria das pessoas acredita e apóia estupidamente; o que justifica o trabalho de um artista é a continuidade, a integridade, a qualidade. Só que pra atestar isso é preciso sair da zona de conforto.


13 – Na visão de um músico e critico musical que acompanha seu trabalho, seus CDs e DVD, esse foi o trabalho mais livre de formatos e padrões comerciais. Para quem ouve é algo inovador e libertador, pois é uma nova formula que está dando certo. E a mensagem está sendo passada de tocar o que gosta e não o que os outros querem ouvir. Às vezes parece estar remando contra a Maré, mas nos Rumos que a música comercial está no Brasil hoje, a maré não está na direção errada?

Michel Leme - Eu jamais visei o comércio nos meus discos. O que acontece é que você vai trilhando uma jornada de autoconhecimento, vai acumulando experiências na vida e isso, claro, vai aparecendo no som e deixando a sua mensagem mais clara. Eu também não diria que encontrei uma “fórmula”, de fato eu nem quero isso; eu simplesmente quero tocar o que me dá prazer. Quanto à questão da “maré”: a “boiada” está consumindo o que o sistema quer que ela consuma, e para mim esta boiada está se dirigindo para o abatedouro e levando junto com ela o nosso planeta. Se algo não mudar, infelizmente o crescimento perpétuo do capitalismo continuará acabando com qualquer possibilidade de sustentabilidade – assim como inverteu e subverteu os valores da sociedade. É tudo uma questão de vender o que é preciso vender; o Capital é maior do que o próprio Homem. Então, em relação à arte, a Indústria Cultural dominou a cena e o lixo é premiado com ouro e vice-versa. Realmente eles conseguiram. É o caos, e é um absurdo que já foi absorvido pelas pessoas como “normal”, assim como a violência, o jabá, os programas dominicais, os BBBs, a opressão econômica etc. Estão todos anestesiados. Se não estamos vivendo o “Admirável Mundo Novo” de Huxley, estamos totalmente encaminhados pra isso.


14 – Michel desde já agradeço a oportunidade de mais uma entrevista, será sempre um prazer. Para finalizar que mensagem você deixa para quem está iniciando uma carreira na música?

Michel Leme - Eu é que agradeço, Jota! E vida longa para o “Mestre da Guitarra”!!! Minha mensagem aos que estão iniciando na música: se vocês forem realmente honestos ao lidar com esta arte, sempre estarão com a sensação de estar iniciando nela. O papo todo sobre “carreira” nunca me atraiu; a música, a divina, esta sim, nunca deixa de me seduzir. Abraços!

Michel Leme

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